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Uma carta sincera a Caetano


Prezado Caetano, é com a sinceridade de gente comum como Dona Regina que venho, humildemente lhe falar. Não com a riqueza acadêmica dos ideólogos de esquerda, muito menos com o brilhantismo dos intelectuais de nossa era. Recolho-me à minha insignificância de homem comum para lhe falar. Afinal, é de homens comuns como eu e Regina que vem a sua fortuna, afinal, o que seria de artistas geniais como você se não fosse a massa ignorante, burra e reacionária para comprar seus discos, ou bater palmas para suas aparições no Domingão do Faustão?

Quando Renato Russo cantou que os bons morrem jovens entendi na época como lamento. Hoje, ao ver artistas geniais como você se corromperem e tentarem perverter nossa geração entendo como profecia. Os bons morrem jovens porque não tiveram tempo de se tornarem velhos arrogantes, devassos e esnobes como você. O mundo não é o Leblon, Caetano! E, sua obra genial jamais lhe dará licença para matar nossos princípios. Sei separar o artista da pessoa. Suas músicas são geniais, apesar de você, para mim hoje ser apenas um velho abjeto.

Quando vejo você e seus colegas do Projac cuspirem na cara da população, como se todos nós, homens comuns, fossemos incapazes de pensar com nossos neurônios me dá uma vontade tremenda de vomitar sobre seus discos. Uma coisa é você se derreter de tesão pelos garotões da praia, cantando "Menino do Rio". Outra é você juntar meia dúzia de artistas esnobes, como você, para chamar de censura o que não é. Censura, Caetano, é quando o governo com seu poder proíbe alguma manifestação artística, jornalística ou cultural. Aliás, você sabe muito bem o que é isso. Não só pelos tempos da ditadura que você diz ter combatido e sim pela tentativa de proibição das biografias. Censura essa que você, sua esposa e outros artistas esnobes apoiaram, aliás.

Não foi o MBL que fez a população se revoltar com as bizarrices do Queermuseu ou com a performance da garotinha alisando o marmanjo nu. A população, ao contrário do que você e seus amigos esnobes do Leblon imaginam, sabe pensar por si. Concordo que esta mesma população ainda não aprendeu a eleger presidentes nem governadores, mas aos poucos ela vem deixando de ser massa de manobra. Nem mais a Vênus Platinada consegue influenciar a grande massa. Quiçá vocês, artistas esnobes que vivem encastelados em suas orgias palacianas, bancadas com verbas da Lei Rouanet. Aliás, Caetano, a população também é contra usar verba pública para bancar estas bizarrices.

A população comum do Brasil, em sua maioria, talvez não entenda nada, nadinha mesmo de arte, seja clássica ou moderna. As Donas Reginas da vida talvez jamais ouviram falar de Monet ou Paul Cézanne, mas sabem muito bem que não é certo uma menininha inocente tocar um homem nu. Dona Regina sabe que uma menina estimulada a tocar um peladão pode não ter discernimento para decidir se deve ou não tocar outro peladão, no caso um pedófilo. Neste caso, a relativização, a normatização desta conduta pode conduzir uma criança indefesa a ficar ainda mais indefesa.

Para terminar, Caetano, só quero que você e seus amigos da elite intelectual brasileira entendam, de uma vez por todas, que vocês não entendem nada sobre o povo. A derrota de seu "ungido" Marcelo Freixo na prefeitura do Rio, mesmo com todo o aparato global o apoiando já deveria ter lhes ensinado uma lição. A população não aceita mais ser tutelada. O tempo dos que pensam pelos os "que não sabem pensar" acabou.


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© 2023 por André Luiz Cabral