Aluna de medicina mostra entender mais de saúde do que os gestores de Macaé

December 3, 2019

Diante uma plateia formada por diversos médicos, vereadores e pacientes oncológicos de Macaé, a acadêmica Paula Ingrid, que cursa apenas o terceiro período do curso de medicina da UFRJ em Macaé usou da palavra para denunciar o principal problema da saúde pública na cidade: a visão hospitalocêntrica da gestão municipal que vem sucateando a atenção básica e concentrando seus serviços todos no HPM. A explanação da aluna, que conhece a realidade de perto, como estagiária na rede pública do SUS, aconteceu durante audiência pública que debateu o sistema de atendimento ao paciente oncológico de Macaé. Convocada pelo vereador Marcio Bittencourt, a audiência debateu dois projetos de lei, enviados pelo prefeito, enviados à Câmara. O mais polêmico dele, o PL 024/2017 autoriza a celebração de um convênio com o grupo Dr. Beda, de Campos, para realizar quimioterapia no HPM.

 

Enquanto todos estavam focados em qual seria o local mais adequado para realizar o tratamento quimioterápico, Paula Íngrid, que é apenas uma estudante, mostrou que entende mais de saúde do que muitos gestores públicos da cidade. Ela atacou o verdadeiro "tumor" da saúde municipal: a falta de investimentos na Atenção Primária de Saúde, razão essa que fez Macaé obter apenas a nota 04 do SUS em qualidade de atendimento médico (leia sobre isso aqui), bem abaixo da média do estado. 

 

"Existe uma falha muito grande na atenção básica. Temos uma atenção básica não estruturada e em razão disso temos muita dificuldade na questão do rastreamento do câncer. Isso faz com que o paciente chegue no atendimento especializado, já com câncer em estágio avançado", resumiu Paula. Em outras palavras, a estudante explicou, de forma muito singela, que não adianta nada fazer projetos mirabolantes e com forte apelo de mídia, se o município sequer oferece com celeridade os exames básicos para a detecção de câncer, como biópsia de próstata, biópsia de mama, entre outros. Nos últimos três anos, a cidade sequer tinha um aparelho de mamografia (já que o único que havia, no Nuanc da Aroeira quebrou e a cidade demorou 36 meses para licitar outro).

 

Ou seja, não adianta nada oferecer Quimioterapia de melhor qualidade se a prefeitura continuar demorado um ano, ou mais, para aprovar um exame que rastreia o câncer. Muitos já chegam em fase terminal no tratamento, justamente porque a prefeitura sequer ofereceu o básico. Que as autoridades macaenses aprendam com essa futura médica.

 

 

 

 

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