Se não tiver o apoio da Câmara, Aluízio pode dar adeus a seu projeto de sucessão

October 18, 2019

Enquanto todos os olhares se voltam para o quarto andar do prédio, desenhado por Niemeyer na Rua da Praia, o processo político que definirá quem será o próximo prefeito de Macaé não está totalmente nas mãos do prefeito Dr. Aluízio e este argumento é sustentado pela matemática. No ano passado, por exemplo, enquanto os candidatos apoiados pela aclamada "máquina" não tiveram um desempenho à altura do poder atribuído a ela, candidaturas oriundas da Câmara, por exemplo a dos vereadores Julinho do Aeroporto (MDB) e Marcel Silvano (PT), consideradas "quixotescas" devido à falta de apoio da classe política local tiveram ótimo desempenho. "Sozinhos", sem o apoio de nenhum poderoso local, Julinho fez 8.360 votos em Macaé e Marcel 5.434.

 

Apoiado pelo presidente da Câmara e pela maioria dos vereadores, Welberth Rezende não foi o candidato oficial do prefeito. Mesmo assim, foi o campeão de votos nas eleições de 2016, com 18.998 dentro de Macaé. Somados os três, Julinho, Marcel e Welberth, a Câmara hoje pode dizer que tem um "capital político" suficiente para eleger um prefeito, com ou sem a ajuda da máquina. Agora, resta ao Legislativo ter essa "consciência de grupo", tal como as formigas do filme "Vida de Inseto" tiveram. Sem querer extrair filosofia em um desenho animado, mas já o fazendo, lembro que no filme as formigas eram oprimidas por fortes gafanhotos até que elas, finalmente, entenderam que, juntas, eram mais fortes do que os insetos maiores. Trazendo para o plano municipal, o Legislativo são as formigas e o Executivo, os gafanhotos. A força de Aluízio está na divisão e a do Legislativo, no coletivo.

 

FRAGMENTAÇÃO É A SAÍDA — Sendo, reconhecidamente, o melhor "player" político da cidade, Dr. Aluízio sabe que, para seu projeto se consolidar é preciso dividir a classe política,ou trazer a todos para debaixo de sua asa. E essa não é uma saída de gênio, só a repetição de uma estratégia que tirou dele próprio a eleição de 2008. Se Silvio Lopes tivesse se unido a ele contra Riverton ou mesmo retirasse a candidatura, o então prefeito não se treelegeria. No entanto, com os 18 mil votos depositados em Sílvio, naquela eleição, Riverton acabou ganhando de Aluízio com apenas 2,8 mil votos de diferença. Ou seja, a máquina ganhou porque soube, muito bem, dividir os adversários. E, como disse Marx, a história sempre se repete: a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa.

 

O CAMINHO DA MEDIAÇÃO — Diante todo este cenário, no entanto, há uma tendência clara de união dos dois projetos em torno de um só. Tudo depende uma conversa (se é que já não aconteceu) entre os líderes dos dois poderes que regem Macaé. Caso saia uma candidatura de consenso entre as duas Casas, as chances de a oposição chegar ao poder se diminuem bastante. Por isso, nos próximos 15 dias, as articulações nos bastidores serão intensificadas. E, para que Aluízio consiga reunir uma base de apoio sólida em torno de seu candidato, ele tem que afastar da condução do processo alguns secretários que são, simplesmente, odiados no Legislativo. E, como dizem os bons advogados, um acordo ruim é infinitamente melhor do que uma batalha perdida. 

 

 

 

 

 

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