Bolsonaro é o Lula da direita

September 3, 2018

 

 

A esquerda jamais vai admitir, mas Bolsonaro nada mais é do que um subproduto do PT. E, antes que eu seja atacado pelos radicais de ambas as partes, peço que leia o artigo até o fim. Pois, no final, todos verão que não existe qualquer diferença entre os adoradores de Lula e Bolsonaro. Ambos são radicais e extremamente fanáticos, ao ponto de não perceberam os defeitos e fragilidades de seus ídolos que, guardadas as devidas proporções, também são bastante parecidos. A diferença é que Lula foi experimentado pelo poder e teve muito mais chances de errar. Bolsonaro, no entanto, ainda não teve a chance. Mas não se engane: não há santos na política. E o "mito" está tão longe da santidade, quanto seu adversário de nove dedos. A diferença está justamente na oportunidade.

 

Quando digo que o PT criou Bolsonaro, falo porque esta onda toda de extrema-direita, armamentista e justiceira não existia antes de 2002. E muitos do que hoje apoiam o "mito" o fazem justamente porque se decepcionaram com as trapaças do próprio PT e seus partidos satélites que chegaram ao poder com uma narrativa extremante utópica e longe da realidade. Enquanto despejava bilhões em ditaduras de esquerda enriquecendo a Odebrecht em seus contratos internacionais, a dupla Lula e Dilma se despreocuparam com questões que atingem o cidadão médio como, por exemplo, a segurança pública. Para piorar, o PT terceirizou a sua narrativa para partidos satélites da extrema-esquerda, que defenderam pautas progressivas, como a política de cotas, o avanço da pauta LGBT (que teve sua culminância com o malfadado "kit gay"), a manutenção da maioridade penal e, sobretudo, a vitimização e coletivização da culpa. Enquanto estupradores e assaltantes eram considerados "vítimas da sociedade" a população atônita e revoltada começava a armazenar um ódio que só eclodiria anos depois com o impeachment de Dilma. 

 

Aonde entra Bolsonaro nesta salada? Inteligente como poucos, o deputado se transformou na voz daqueles que revoltavam com o sistema, mas não tinham, até então coragem de bater de frente com o "politicamente correto". Falar contra as cotas raciais, a proteção de menores infratores e contra exposições polêmicas que sexualizavam crianças, colocaria qualquer sob o risco de ser queimado na fogueira da inquisição do "politicamente correto". Assumindo a ponta da narrativa, com artistas engajados (graças aos bilhões da Lei Rouanet), professores doutrinados e doutrinadores, mídia global e os habitantes da "lacrolândia" (justiceiros sociais de facebook) a esquerda ocupou todos os espaços culturais e abafou a voz de qualquer um que ousasse ir contra o que o mainstream ditava como regra. Só um louco para desafiar este sistema. E o louco apareceu. Seu nome era Jair Messias Bolsonaro.

 

Tal como Lula foi o louco que desafiou os industriais do ABC ao liderar as greves dos metalúrgicos dos anos 80, Bolsonaro se tornou a principal voz de resistência à ditadura do politicamente correto. Bateu de frente com o Marxismo cultural e, ao fazer isso, estimulou a direita brasileira, historicamente acovardada, a sair do armário e disputar cabeça a cabeça os espaços culturais antes ocupados apenas pelos simpatizantes da esquerda. E, tal como Lula foi criado pelo fracasso das políticas neoliberais do início dos anos 90, Bolsonaro foi criado pelo radicalismo da própria esquerda. Tentar calar a voz de quem pensa diferente é uma ilusão. O pensamento desta massa fica apenas represado por um tempo, até que a barragem estoura, espalhando lama por todo o lado.

 

E, neste mar de lama e radicalismos que se tornou o Brasil, um simples deputado se tornou "mito", no sentido literal da palavra ao desafiar o establishment, formado pela mídia progressistas, artistas engajados e partidos de esquerda. E nesta política do "nós contra eles", criada pelo próprio PT bem ao estilo "dividir para conquistar", Bolsonaro nadou de braçada ao criar, perpetuar e se tornar o porta-voz do "eles". E, em seu redor, criou-se um verdadeiro culto o santificando como o único portador das virtudes necessárias para colocar o Brasil no eixo. Agora me responda: esta história é ou não é muito parecida com o que aconteceu em 2002?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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