Bastidores antecipam disputa eleitoral de 2020 em Macaé

August 14, 2018

 

 

Já dizia Marx: a história sempre se repete.  Em 2002, o então prefeito Silvio Lopes era o "dono da bola". Mandava e desmandava na cidade e já tinha o seu plano de sucessão pronto. Só não contava com um detalhe: seus aliados no Legislativo também tinham um plano. E, contrariando a sua vontade, os vereadores atropelaram seu projeto político elegendo Riverton Mussi como presidente da Câmara para, depois de dois anos, fazê-lo prefeito. Em 2018, a história tenta se repetir. Os personagens são outros, mas o enredo é parecido. Numa articulação brilhante do presidente da Câmara Dr. Eduardo Cardoso (que, aliás, estava no grupo que apoiou Riverton em 2002), pelo menos sete vereadores se uniram para apoiar a candidatura de Welberth Rezende (PPS) para deputado estadual. Se o plano lograr êxito, é pule de 10 que o mesmo grupo vai reeleger (com folga) Eduardo como presidente da Câmara e, do mesmo grupo, sairá provavelmente o próximo prefeito de Macaé. Tem tudo para dar certo, exceto por um detalhe: do outro lado do tabuleiro, também há um brilhante enxadrista: Dr. Aluízio. 

 

O atual prefeito de Macaé tem mantido até agora o mais ousado, porém seguro, plano de sucessão: não ter sucessor. Tal como Carlos Augusto fez com Sabino em 2012 e Marquinho Mendes com Alair Corrêa no mesmo ano, seria melhor sair do governo sem desperdiçar o "capital político" com um aliado e apostar as fichas no fracasso do sucessor. O prefeito sempre deixou claro que não "colocaria a cara" por ninguém. Seu grupo, no entanto, sempre ansiou por um projeto de futuro. Todas as tentativas, no entanto, foram frustradas e todos os aliados foram sumariamente podados. Foi assim com Dr. Marcio Bittencourt e Guto Garcia que, com os pés amarrados no MDB (partido em que o prefeito dava as cartas até ontem) tiveram as candidaturas a deputado estadual inviabilizadas. No plano de sobrevivência de Aluízio, aliados ganhando "Vida própria" são mais perigosos do que os adversários. Afinal, a estrela do grupo é o prefeito. E uma estrela não pode ser ofuscada pelo brulho de outras. 

 

Este era o jogo, mas aí veio Dr. Eduardo, Welberth , e o candidato a vice-governador Comte Bittencourt (que chancelou a candidatura do vereador Macaense) e viraram o jogo, derrubando as torres e os bispos do prefeito. Mas isso ainda está longe de ser um xeque-mate. Por enquanto, o prefeito sorri amarelo para o "grupão da Câmara" (afinal, precisa dele para aprovar as suas contas). No entanto, até os melhores jogadores sabem que, se calar, é a melhor forma de planejar a próxima jogada.

 

 

O jogo ainda só começou... 

 

Please reload

Destaques do Blog
Please reload

Visto em

© 2023 por André Luiz Cabral