Saúde de Macaé agoniza nas mãos de burocratas e amadores

August 8, 2018

 Sabe aquela máxima de que jamais se pode colocar um açougueiro para dirigir um hospital? É a mesma que se aplica, hoje, na saúde de Macaé, onde um grupo de burocratas liderado pelo procurador de contratos Jean Lima (o que no ano passado teve o nome citado na delação da Odebrecht - leia sobre isso aqui) tomou a secretaria, literalmente, de assalto. Após conseguir fritar a secretária anterior, Jean colocou seu pupilo, Gustavo Gusmão, um ex-tecladista de banda e advogado inexperiente na área de saúde pública para comandar a Secretaria de Saúde. A promessa era que, com o procurador à frente da pasta, os processos andassem e o problema de desabastecimento que assolava a pasta (problema este causado pela própria procuradoria, que travava tudo) seria resolvido. Não foi. Agora, além de continuar faltando de tudo na Saúde, a gestão do secretário começa a colocar todo o governo  e a própria reputação do prefeito, que é médico, em xeque. 

 

Ontem, na Câmara, a secretaria foi alvo de severas críticas tanto da oposição quanto na situação. O vereador Luiz Fernando (PTC) falou do estado do HPM que tem sofrido, segundo ele, um processo de "desmanche". "Em um mês, três mulheres tiveram seus partos no banheiro do hospital. Isso é uma vergonha para Macaé, onde a Secretaria de Saúde tem sozinha um orçamento maior do que cidades do porte de Quissamã, por exemplo", citou o vereador. Outro que também criticou a pasta foi o vereador e médico Dr. Marcio Bittencourt (MDB) que saiu em defesa dos funcionários da saúde, afirmando que o problema é que a secretaria não tem dado condições de trabalho adequadas.

 

FALTA DE EXAMES A MATERIAL DE LIMPEZA - A situação da Saúde de Macaé está tão caótica que a cidade simplesmente não realiza mais cirurgias de cataratas. Fazer exames de média e alta complexidade, então, tornou-se um calvário. Para se ter ideia, a cidade está com o seu único mamógrafo quebrado há mais de um ano e, sem o equipamento, se torna virtualmente impossível realizar diagnóstico de câncer de mama (uma vez que o diagnóstico é fechado combinando dois exames: a mamografia e o ultrassom de mama). Na UPA do Lagomar, sequer o aparelho de Raio-X está funcionando. Além disso, várias unidades estão literalmente caindo aos pedaços, sem manutenção.

 

No Pronto Socorro do Aeroporto, unidade que funciona como referência em psiquiatria, não está sendo mais possível marcar psiquiatras ambulatoriais. A parte odontológica da unidade também por pouco não foi fechada. Adotando a política do "cobertor curto" a secretaria fez alarde inaugurando uma nova UBS (construída 100% com recurso federal) no Barramares. No entanto, para tocar a unidade não foram adquiridos equipamentos novos e nem sequer houve a contratação de mais funcionários. Simplesmente outras unidades foram "canibalizadas" cedendo equipamentos para a abrir a nova porta de atendimento. Cadeiras, mesas e até equipamentos odontológicos foram trazidos de outras unidades para o Barramares. A maior contradição disso, no entanto, é saber por onde anda o procurador de licitações do município, que não consegue licitar sequer uma dúzia de cadeiras para ajudar seu afilhado? 

 

 

 

 

 

 

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