O jornalismo não vai se curvar à ameaças, lobbys ou trapaças

June 7, 2017

 

 

Fiquei surpreso, hoje, ao tomar conhecimento de que o vereador Maxwell Vaz foi à delegacia me denunciar. Mas, afinal, que crime eu teria cometido contra o nobre edil? Revisitando meu arquivo de memórias de maldades, tentei achar algum crime que teria praticado. Imposto de Renda, devidamente declarado, pensão alimentícia da minha filha em dia, impostos quitados... Enfim, qual seria o meu crime? Afinal, nunca recebi propina, roubei dinheiro público, vendi licença ambiental ou pratiquei qualquer ilícito. Nunca!

 

Descobri que outros dois jornalistas também haviam sido denunciados. E descobri isso na capa do Debate (aquele mesmo jornal investigado pela PF por fraudar licitações - quanta ironia!). Pelo menos, caso seja preso (ou tenha que distribuir cestas básicas) terei Daniel Galvão e Roberto Barbosa para me acompanhar. Confesso que não sou amigo do Roberto (com quem tive sérios embates no passado), mas pelo menos com Daniel eu me dou bem. Talvez, a cadeia ou o serviço comunitário seja uma chance de eu me reconciliar com o jornalista campista que, embora não seja seu fã, reconheço sua coragem em denunciar e colocar o dedo na feria de alguns poderosos.

 

Voltamos à pauta, o que eu, Roberto e Daniel teríamos feito de tão grave para termos nossos nomes estampados numa queixa-crime e no jornal editado por aquele rapaz que tinha a mãe como funcionária fantasma na prefeitura? Bem, da minha parte, sei que eu tenho escrito muita coisa que incomodou bastante gente. Disse, por exemplo, que o Porto de Macaé é um golpe de Marketing. Disse isso e repito na frente do delegado. "Doutor, até hoje não colocaram sequer uma pedrinha no porto do Barreto, enquanto a especulação imobiliária corre solta com a promessa do mesmo", é o que direi.

 

Sobre a acusação de Lobby, que saiu estampada na Revista Viu, do Roberto Barbosa, só sei dizer que esta suspeita não surgiu primeiro na revista e nem sequer no meu blog. Ela foi levantada no início do ano na Câmara Municipal, através do discursos de vereadores como Julinho do Aeroporto. Está tudo lá, registrado em ata, basta conferir.

 

Não fui eu que falei que houve Lobby, embora as suspeitas tenham sido também citadas pelo presidente da Casa, Dr. Eduardo que justificou sua atitude em não sancionar a lei do porto (que na verdade não é a lei do Porto e sim a Lei da Agrivalle) baseado nesta suspeitas. Marcel Silvano também disse que estava ficando feio para a Câmara esta suspeita e que, portanto, ele foi contra e votou contra a lei desde o ano passado.

 

Voltando ao meu "crime", só tenho a dizer ao vereador que não temo ser chamado em uma delegacia. Pelo contrário, vou adorar a oportunidade de saber a posição da polícia frente a esta estranha suspeita de Lobby que foi levantada nos bastidores da Câmara. Afinal, quem financia o movimento "Porto Já" e as manchetes do jornal O Debate? Gostaria muito de saber e vou até sugerir ao delegado Dr. Felipe, por quem eu tenho um grande apreço, estas perguntas.

 

Nunca disse que Maxwell é lobista. Agora, se existe esta suspeita, que ela seja investigada. Quanto a mim, só digo uma coisa. O dia em que o jornalismo se curvar diante a ameaças, lobbys e intimidações, isso não será mais jornalismo: será só mais uma capa encomendada em um jornal sem a menor credibilidade. 

 

 

 

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