Anarquinópolis, capítulo 13: A audiência do Porco

June 6, 2017

 

 

Em nosso último e portuário capítulo você deve ter lido (quem, afinal, lê essa porcaria?) que, enquanto Dr. Bonitinho seduzia as multidões com os videozinhos gravados em seu celular, o Parlamento pegava fogo com a anulação da Lei do Porco. Contando com um pernil, uma orelha ou talvez até um torresmo, Maquiavel Taz, o grande articulador do projeto, que tinha o patrocínio de uma famosa marca de Xampu para cabelos Crespos, a “DoValle” estava furioso. Afinal, com o Porco, ele já tinha garantido o seu pedacinho do esquema. Agora, com Dr. Bonitinho colocando aquele olho azul e grande onde não devia, haveria mais gente interessada no negócio. Veja o que aconteceu em seguida...


Reunião de cúpula no Centro de Poluições (gabinete oficial número 289 do príncipe): 
— Gugu Salgadinho, que besteira é essa que você fez, rapaz. Tão dizendo aqui que você reservou um pedaço do lombo do porco para o fazendeiro, que negício é esse? — perguntou o príncipe preocupado.


— Sabe o que é, oh príncipe. Dentro da Z-5 na latitude 55, longitude 87, aos 28 graus Celsius, e 785 Fahrenheit, do estreito de Bering do canal de Suez do Equador, passa uma linha longitudinal que dá em congruência com a artéria aorta do porco — explicou o procurador.


— Você jura que isso tá certo, Gugu? — Perguntou o príncipe


— Juro por São Gracioso de TCE — garantiu Salgadinho


Confiando na palavra e no conhecimento técnico do procurador, o príncipe convocou uma grandiosa audiência no Parlamento local para discutir o Porco. Claro, estavam todos preocupados com os parlamentares da oposição, que poderiam fazer perguntas capciosas, principalmente sobre o tal fazendeiro que havia prometido um pedaço do porco para muita gente, porém, nem todos contavam com a astúcia e capinogência de nosso amado príncipe.


No dia da audiência, Maquiavel mandou os amigos do Porco Já reuniram-se todos na entrada no parlamento, com um trio elétrico e um show da Ivete cantando “Um lobby, Hobby, Love com você”. Mas, Bonitinho era mais astuto do que Maquiavel, do que o empresário de Xampu e do que todo Parlamento Juntos. Numa conversa ao pé do ouvido com seu amigo situoposicionista Malfadado, presidente daquela casa, ele mandou fechar os portões da frente, enquanto seus assessores todos entraram por trás (juro que o trocadilho não foi intencional). Assim, não houve tumulto. Mas o melhor, meus caros, ainda estava por vir.


Ao entrar no Parlamento e enfrentar Maquiavel e seus demais adversários cara a cara, Dr. Bonitinho mandou soltar um gato selvagem no meio do plenário. E, bem treinado para a ocasião, o gato comeu a língua de todos os oposicionistas. Até Ruim Ferrando, que adorava falar que não estava entendendo nada, se calou, embora pensasse que realmente não estava entendendo nada.


E Dr. Bonitinho, com todo seu charme, habilidade e manemolência, falou, falou, falou e deu um show de dar inveja a Silvio Santos. Só faltou as companheiras do auditório para aplaudir e as “pegadinhas” no telão. Epa! Perai! E não é que teve disso tudo na audiência.
MáOé!
 

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