Invasões, desemprego,violência. O "apocalipse Macaense" chegou

November 9, 2016

 

 

Antes de mais nada, Apocalipse não quer dizer, necessariamente, fim do mundo. Como também sou formado em teologia, estudei que o apocalipsismo era uma forma que os profetas antigos, de Daniel a João de Patmos usaram para denunciar as mazelas sociais da época e prenunciarem a necessidade de uma ruptura urgente no sistema . Para S. João, o Apocalipse foi a revelação do que estava por vir, com o fim da era secular. Para André Cabral, este escritor que vos fala, o Apocalipse macaense também é iminente. E, quem sobreviver a esta época caótica, dirá que tenho razão.

 

Lembro-me quando, em 2003, Macaé ainda nadava em dinheiro. Nesta época, como jornalista entrevistei um figurão do governo de Macaé e perguntei se ele preocupava a construção de Zonas Especiais de Negócios em cidades da região, em relação aos empregos. Ele disse que não, que o ISSQN do Petróleo continuaria vindo para Macaé independente de qual cidade da região estivesse as bases das empresas. Desde então, percebi que para a Política macaense, os cifrões eram a prioridade, não as pessoas.

 

As ZENs da região não tiraram um único emprego da cidade, que bom. Porém, a crise veio por outro lado: Petrolão, desvalorização do barril do petróleo, colapso financeiro do Estado. E Macaé, vive hoje uma era de incertezas. Em menos de dois anos, mais de 10 mil postos de trabalho foram fechados. A arrecadação do ISSQN despencou (e vai cair ainda mais em 2017) e, para piorar ainda mais, o governo municipal vê em uma reforma administrativa (com mais 1400 demissões) a única chance de sobrevida. São tempos ruins. 

 

Para engrossar ainda mais o caldo da crise, a incidência criminal explodiu e os confrontos urbanos, provocados pelas invasões estão chegando a uma situação limite. No último domingo, um jovem foi metralhado na Vila Badejo. Ontem, ônibus foram queimados e o BOPE precisou atuar para esvaziar uma área invadida no Barreto.

 

Como sair desta situação? O Povo espera soluções e o governo, acuado pela crise, precisa se reinventar. A arrecadação continuará caindo e, mandar mais gente embora, aumentando a fila dos desempregados pode, por um lado, aliviar os gastos, mas por outro, não resolverá a situação. Ainda temos um grande orçamento e podemos criar alternativas para nosso desenvolvimento social. Caso contrário, Serra Pelada existe para provar que, prosperidade sem inteligencia é a formula do fracasso.

 

Que Deus ajude Macaé!

 

 

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