Efeito hidra: com fim do “Trollando”, denúncias anônimas se proliferam na rede

November 6, 2015

 

 

Ha pouco mais de um mês a Polícia Civil  prendia os dois responsáveis pela fanpage “Trollando Macaé”,  acusados de chantagem e extorsão. Com mais de 60 mil curtidas, a página se transformou em uma verdadeira metralhadora de denúncias na cidade, a maior parte delas falsas. Mesmo assim, tornou-se uma dor de cabeça para o governo. E a prisão de seus responsáveis caiu feito uma luva para alguns secretários que eram alvos constantes dos ataques virtuais. Porém, se você pensa que a onda de denuncismo acabou em Macaé, está completamente enganado. Pelo contrário, a prisão dos responsáveis pela página está criando um “efeito hidra” na rede. Na mitologia, a hidra era uma criatura de várias cabeças, que tinha o poder de fazer nascer outras quando uma era cortada. Na rede social, o corte no Trollando fez nascer outros fakes.

 

Na semana passada, mesmo sem um “Trollando” para divulgar, o vídeo do garotinho quebrando tudo em uma escola no Lagomar (Leia sobre isso aqui) chegou a incrível marca superior a 7 milhões de visualizações e virou matéria em todas as redes de TV nacionais. Onde começou a divulgação do vídeo? No Whatsapp. Aliás, a plataforma de mensagens instantâneas se tornou a maior propagadora de denúncias (falsas ou verdadeiras) na internet. Basta uma pessoa receber um vídeo, uma foto ou o link e, com um clique, redirecionar a mensagem para toda a sua lista de contatos. Contatos que tem outros contatos. Ou seja, o “efeito cascata” desta propagação é infinitamente maior do que o do Facebook e tem uma vantagem crucial: quem denuncia não precisa “colocar a cara na reta” ou fazer fake no Facebook. Não há como incriminar alguém por mandar uma mensagem, por mais falsa que seja. E isso foge a qualquer controle governamental.

 

Já houve tempo em que os panfletos, deixados debaixo das portas, eram os únicos meios de propagação de boatos. Em Macaé, o mais famoso era o “A Tocha Traz”, porém, após passar uma temporada na cadeia em Campos, o seu dono, Inácio Cunha se converteu e hoje, sua “tocha” só traz mensagens bíblicas, mesmo mantendo o título de duplo sentido. Hoje, Facebook e Whatsapp são as novas tochas. Uma hidra que, felizmente e infelizmente, será impossível de se matar. Ano que vem acontecem as eleições. E o tiroteio de hoje se transformará em guerra ano que vem. Aguardem!

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