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Silvinho Lopes critica monopólio do transporte criado pelo próprio pai



Minha avó, ou a avó de muita gente já dizia: se cutucar a bosta que está seca, ela vai voltar a feder. É um ditado tosco, eu sei, mas é o único que pode ser usado para explicar a postagem feita pelo candidato Silvinho Lopes (ou Silvio Lopes 2.0) ontem em suas redes sociais, criticando o monopólio do transporte macaense, exercido pela empresa SIT. Disse ele "Hoje temos um monopólio que não satisfaz a população, a quantidade de ônibus em determinados horários é super reduzida e há lugares sem assistência do transporte urbano". Embora assertivo na crítica, Silvio Lopes 2.0 pecou em não dizer que o monopólio foi criado pelo seu pai, o Silvio Lopes original (ou versão 1.0). Que bom que estamos aqui para lembrar!


O monopólio da SIT foi criado no governo Silvio Lopes. Sua arquitetura começou no ano de 2002, com a construção de terminais integrados (ao custo de R$ 50 milhões, na época, ou R$ 175.637.466,90 em valores atuais, corrigidos pelo IGPM-FGV ). Os terminais foram construídos no Centro, Barra, Vila Badejo, Lagomar, Parque de Tubos e Lagoa e, como a população pôde verificar anos depois, acabaram derretendo com a maresia e ficaram em estado deplorável. Além da brilhante ideia de construir terminais de ferro em uma cidade litorânea, a intenção do governo Silvio Lopes era implantar um sistema de "bilhete único" na cidade. Para o plano funcionar era necessário, além dos terminais carísssimos, ter uma operadora só controlando tudo: nascia assim o Sistema Integrado de Transportes, para os íntimos, a SIT.


Na época, o transporte da cidade era um caos, porém funcionava melhor do que hoje. Havia na cidade três empresas: a Macaense, a Líder e a São Cristóvão e mais de 300 vans operando o transporte alternativo. Porém, no ano de 2002 o grupo JCA (controlador da 1001) comprou a macaense. Logo após a compra da macaense a segunda empresa a ser "tragada" foi a Líder, que ainda manteve uma participação simbólica no grupo. A São Cristóvão, menor empresa entre as três, sucumbiu e morreu por inanição. E as vans? Como eram o elo mais frágil do sistema idealizado por Silvio Lopes 1.0 e por seu filho, o Silvinho (que na época era o "gerente municipal"), acabaram sendo perseguidas e dizimadas da cidade. Centenas de pais e mães de família perderam tudo na operação.


A perseguição das vans, iniciada no governo Lopes continuou na administração de seu sobrinho, Riverton Mussi. A essa altura a SIT, que era um "sistema", já havia se transformado em uma empresa de fato, exercendo o monopólio da cidade que perdura até os dias atuais.



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© 2023 por André Luiz Cabral