É proibido rezar! Justiça anula eleições por conta de culto evangélico


Eleito com 60% dos votos válidos (28 mil votos contra 10 mil do segundo colocado), o prefeito de Rio das Ostras, Carlos Augusto Balthazar terá que disputar uma nova eleição, para ser confirmado no cargo. Seu crime? Participar de um culto, realizado há 10 anos (isso mesmo: 10 anos!) em homenagem ao aniversário de sua esposa. Pelo ato religioso, o prefeito foi acusado e condenado por abuso de poder econômico (e olha que ele nem passou a sacola dos dízimos). Após 10 anos de uma batalha judicial sem precedentes, o TSE entendeu ontem que a cidade terá que ter novas eleições. Resta saber, se desta vez, rezar vai continuar sendo pecado.

Este é um caso completamente esdruxulo, dado as circunstâncias. Primeiro que o prefeito, mesmo com a confirmação da sentença, já não está enquadrado na lei de ficha limpa (o prazo de inelegibilidade é de 8 anos). Portanto, Carlos Augusto terá pleno direito de concorrer ao pleito. Como um time que sai vitorioso de campo e, de repente, tem que voltar a campo porque o juiz resolveu, do nada, anular um gol que deu a vitória, Carlos Augusto terá que disputar novamente a mesma eleição. Uma espécie de tira-teima contra basicamente os mesmos adversários que já derrotou anteriormente.

O golpe só não foi completo porque o TSE não acolheu o recurso do segundo colocado do pleito, Deucimar Talon, que queria assumir o cargo no lugar de Carlos Augusto. Inclusive, o candidato derrotado e seu fiel escudeiro, Edinel Flores já estavam até escolhendo a equipe do governo. Afinal, como sabem que vencer nas urnas é praticamente impossível, a maior esperança de Deucimar era mesmo o tapetão.


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© 2023 por André Luiz Cabral